O médium do sul
Uma vez um tio meu faleceu, e estava sendo velado na sala lá de casa. Eu estava na cozinha. Daí a pouco chamei a mãe e disse: “O tio não tá morto”. “Como não tá morto?” “Ele passou aqui agora, tava brincando. Inclusive, olha lá onde ele tá, ele tá na volta do caixão, olha ele lá.” Ela: “Tu tá enxergando?!” E eu: “Tô enxergando!”
Não era a raça, porém, que mais causava transtornos para Neives. Mesmo porque, Pelotas é uma das cidades com maior concentração de negros do Brasil, muitos dos quais nasceram de famílias de escravos levadas para a região no período das charqueadas. Ele sofria mesmo devido a uma capacidade que percebeu quando ainda era menino: a de falar com os espíritos. O mínimo que diziam dele é que estava com o diabo no corpo.
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Trechos de Mestre Baptista e Milton Jung (nesta ordem), que se completam e retratam a incrível trajetória do primeiro, costurada por impressões sobre a gente, a história e o imaginário em Pelotas.
Os textos na íntegra estarão no livro Todo mundo tem uma história pra contar, do qual você pode ser autor e ganhar exemplares por meio do Concurso Cultural Você Escritor – participe aqui!

Milton Jung
15/07/12 @ 8:41Para testemunhar: ter conhecido a história de Neives, ou o Mestre Baptista, foi enriquecedor pois, não bastassem as nuances da vida que experimentou, ainda tive oportunide de falar da interessante cidade de Pelotas.