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Caminhar e alteridade: um convite à escuta, à presença e ao outro
Novo episódio do podcast da Olhares no ar
Destaques do episódio:
Em tempos de pressa e distração, o simples ato de caminhar pode se tornar uma poderosa ferramenta de transformação — pessoal, urbana e política. No episódio “Caminhar e alteridade”, somos conduzidos por uma reflexão profunda sobre o que acontece quando desaceleramos, abrimos os sentidos e nos colocamos em movimento no espaço e no tempo. Mais do que uma locomoção, caminhar é apresentado como uma experiência sensível, que reconfigura a nossa percepção do mundo. O corpo que caminha percebe mais: sons abafados, cheiros despercebidos, silêncios que dizem muito. E com isso, escutamos também o território e aqueles que o habitam. O episódio destaca como caminhar ativa uma escuta do outro — não apenas do diferente, mas do que estava invisível, esquecido ou silenciado. O gesto de andar junto se transforma em uma prática relacional, de encontro e de reconhecimento da pluralidade que compõe as cidades.
O tempo também ganha outra textura. Ao sair da lógica da produtividade, a caminhada nos convida a acessar um tempo próprio, mais lento, mais atento. Caminhar é recusar a aceleração como modo único de viver, e com isso, criar espaço para o pensar, para o sentir, para o se afetar. Esse tempo e esse corpo presentes permitem construir cartografias afetivas: mapas do vivido, do escutado e do compartilhado. Caminhar é também uma forma de narrar o território, de resgatar histórias e deixar pegadas onde antes havia apenas anonimato.
A cidade, com suas fronteiras — visíveis e invisíveis — passa a ser reconfigurada. Caminhar desafia muros simbólicos: do medo, da exclusão, da indiferença. Abrir-se ao outro por meio do movimento é também um gesto de alteridade e acolhimento. Na escuta e no caminhar, há educação. A prática de caminhar como pedagogia aparece no episódio como forma de produzir saberes, cultivar vínculos e repensar modos de convivência. A cidade deixa de ser cenário e passa a ser sala de aula viva. E, por fim, a caminhada se revela como gesto poético e político.
Em um mundo saturado de estímulos, andar pode ser um ato radical. Um caminho de reencantamento e, ao mesmo tempo, uma afirmação de presença — nossa, do outro e do comum. O episódio é um chamado para repensarmos nossos gestos cotidianos. E talvez, a partir do primeiro passo, nos aproximarmos mais de nós mesmos, do outro e do mundo. Afinal, como eles bem colocam, “o corpo que caminha é o corpo que escuta”. Uma escuta que transforma.
A conversa foi motivada pelo livro Caminhar parar hospedar-se, recém-lançado por Francesco Careri, e reuniu convidados que vivem a cidade com os pés e com o olhar atento:
Conheça os participantes:
Ricardo Luis Silva: é fotógrafo e professor no SENAC. Desenvolve trabalhos visuais e reflexivos sobre cidade, memória e modos de caminhar.
Renato Hofer: é arquiteto, artista e pesquisador. Sua prática mistura arquitetura, performance e deslocamento.
Márcia Gobbi: é professora e pesquisadora da FE USP e trabalha a criança na cidade
Murilo Romão: é skatista, videomaker e idealizador do coletivo Flanantes, que mistura skate, arte e antropologia urbana.
Todos caminham, registram e refletem sobre o espaço urbano a partir da escuta, da troca e da experiência viva — e trazem ao episódio contribuições preciosas para pensar os encontros que nos transformam.
Sugestão de leitura
Caminhar parar hospedar-se, de Francesco Careri
Humanizar, de Thomas Heatherwick
Episódios de conexão:
Caminhar, parar e hospedar-se, com Francesco Careri e Ricardo Luís Silva – Podcast EP#25
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