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O livro reúne os últimos 46 ensaios de Peter Schjeldahl, crítico de arte da revista The New Yorker aclamado como um dos maiores de sua geração, finalista do Prêmio Pritzker. No comovente ensaio que abre e direciona o livro, publicado em dezembro de 2019, Peter repassa a própria trajetória e faz uma revelação chocante: havia descoberto um câncer de pulmão e seu oncologista lhe dera seis meses de vida. Um tratamento experimental, entretanto, mostrava algum sucesso. “Estes meses extras”, escreveu, “são um luxo que espero aproveitar bem.” E aproveitou!
A pauta desses últimos ensaios vai de clássicos como Velázquez – autor da obra favorita de Peter, à qual foi fazer uma última visita no período – e o modernista Paul Cézanne – que considerava supervalorizado – a nomes da arte contemporânea como Jasper Johns – cujo gesto "deu fim à arte moderna" – e Gerhard Richter, com suas revelações sombrias. Passa também pela revisão de conceitos, comentários sobre museus e avaliações de feiras de arte.
Um ensaio sobre Edward Hopper demonstra o estilo afiado e acessível com que Peter conecta arte e realidade. Ele ressalta a independência absoluta de Hopper e o impacto de uma obra em que o cidadão livre do sonho americano se degenera, tornando-se "ape¬nas mais um entre milhões que vagam por um continente desprovido de conforto". Ele conclui: "É possível jurar lealdade patriótica a um vazio? Hopper de¬monstra como, ao explorar uma condição na qual nós pertencemos ao grupo justamente por estarmos separados. Você não precisa gostar da ideia, mas, uma vez que experimenta verdadeiramente a arte desse pin-tor, ela se torna tão impossível de ignorar quanto uma pedra no sapato."
Os textos de A arte de morrer expressam percepções maduras de Schjeldahl sobre a arte e a vida em meio a um período intensamente conturbado, que incluiu a pandemia, os protestos após a morte de George Floyd, as eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos e o início da guerra na Ucrânia. Sua produção nesses tempos turbulentos e reflexivos – tanto no plano global quanto no pessoal – é marcada pela generosidade com que desvenda aos leitores o mundo da arte.
Sobre o autor: Peter Schjeldahl foi crítico de arte da revista The New Yorker por mais de duas décadas, até sua morte em 2022, aos oitenta anos. Ele ingressou na revista como redator, após ter trabalhado como crítico de arte no The Village Voice de 1990 a 1998. Escreveu também para veículos como The New York Times, Times Magazine, Vogue e Vanity Fair. É autor de quatro livros e, pela excelência de seu trabalho, foi finalista do prêmio Pritzker e foi premiado com a Bolsa Guggenheim, pelo Instituto de Arte Sterling e Francine Clark, pela College Art Association e pela Academia Americana de Artes e Letras.
“Peter Schjeldahl escreve com autoridade e autoironia, idiossincrasia e didatismo. É mestre da frase lapidar e, também, da anotação provisória. Nestes derradeiros textos, lembra-nos que, por incorporar as dúvidas e incertezas diante da arte e da vida, o ensaio se define como um reiterado convite ao diálogo. E, como queria Montaigne, o inventor do gênero, é uma forma de aprender a morrer.”
Paulo Roberto Pires
“O texto de Peter era exemplar. Encontrar uma joia é quase fácil demais: simplesmente abra uma página aleatória e aponte o dedo para qualquer lugar.”
Steve Martin
“Schjeldahl era estimado em Nova York. Foi crítico de artes plásticas por décadas, primeiro no Village Voice e depois na New Yorker. Mais jornalístico que teórico — mais Robert Hughes que Clement Greenberg — tinha um estilo límpido, idiossincrático, isento de jargões. Essas virtudes são a espinha dorsal de “The Art of Dying”, seu livro póstumo. Elas convivem com a mancha do câncer que se espalha. A morte, diz, não é uma escultura, que se olha de todos os lados. É uma pintura, tem de ser encarada de frente porque o avesso nos é vedado.” Mário Sérgio Conti
“Sensível e comovente. Schjeldahl escreveu até o fim. Podemos ser gratos por isso, porque temos este livro.”
Dwight Garner, New York Times
“A urgência em viver pode nos oferecer, muitas vezes, testemunhos de coragem, generosidade, excelência. Peter Schjeldahl nos seduz com sua visão caleidoscópica da cena artística norte-americana, exposta em uma escrita leve e refinada. Contribui para nossa educação do olhar e nos faz percorrer reflexões que celebram a arte de viver.”
Sergio Fingermann
Tradução: Jorge Henrique Cordeiro
ISBN:9786560920743
Páginas: 288
Capa: brochura